Luz natural bem projetada no escritório está associada a mais horas de sono e a melhor desempenho de quem trabalha, além de reduzir o tempo de lâmpada acesa. Para chegar às mesas, ela depende da profundidade da laje, da altura das janelas e do tipo de vidro. Precisa ainda vir acompanhada de controle de ofuscamento e de calor, que são o preço de uma fachada envidraçada sem proteção.
Quarenta e seis minutos a mais de sono por noite separaram os funcionários de escritório com janela no posto de trabalho dos que não tinham. O estudo, da Northwestern University e da Universidade de Illinois, saiu em 2014 no Journal of Clinical Sleep Medicine e acompanhou 49 pessoas. No grupo com janela, a exposição à luz branca foi 173% maior durante o expediente.
Quanto dessa luz chega de fato às mesas depende de escolhas feitas no projeto do edifício, anos antes de o primeiro locatário assinar contrato. Profundidade da laje, altura das janelas, tipo de vidro e o que existe do lado de fora da fachada decidem se a luz entra, até onde ela vai e se chega acompanhada de reflexo e calor.
A amostra do estudo de 2014 é pequena, e o desenho aponta associação sem provar causa. Quem tinha janela relatou ainda melhor qualidade de sono e mais atividade física que o grupo sem janela.
Em 2020, uma pesquisa publicada no International Journal of Environmental Research and Public Health colocou o mesmo grupo de 30 trabalhadores em dois ambientes, um com luz natural e vista otimizadas e outro de referência. No ambiente com mais luz, eles dormiram 37 minutos a mais e pontuaram 42% acima em simulações cognitivas de tomada de decisão. O estudo foi financiado pela View Inc., fabricante do vidro testado, e quatro dos autores eram funcionários da empresa, o que pede leitura cuidadosa do tamanho do efeito.
Na Universidade Cornell, um estudo de 2018 sobre vidro com controle dinâmico de brilho registrou menos queixas de fadiga visual e de dor de cabeça entre os trabalhadores. Ofuscamento percebido e produtividade autoavaliada não mudaram de forma significativa. A pesquisa contou com apoio da View, o mesmo patrocinador do trabalho de 2020.
Somados, os trabalhos apontam na mesma direção, com amostras pequenas e, em dois casos, patrocínio de fabricante. O mecanismo biológico por trás desses resultados, que é a regulação do relógio interno pela luz, está explicado no post sobre ciclo circadiano e empreendimentos comerciais.
Segundo o guia Tips for Daylighting with Windows, do Lawrence Berkeley National Laboratory, a luz natural útil alcança uma faixa de 1,5 a 2 vezes a altura da verga da janela, medida a partir da fachada. Com a verga a 2,5 m do piso, a luz trabalha bem entre 3,75 m e 5 m para dentro do andar. O restante da planta passa a depender da iluminação artificial.
Dentro dessa faixa, outras variáveis de projeto aumentam ou reduzem o alcance da luz, e elas costumam aparecer no memorial descritivo do edifício ou na conversa com a administradora.
Quando a laje é mais profunda que duas vezes a altura da verga, o fundo do andar fica fora do alcance da luz natural. Layouts que funcionam nessas plantas colocam as estações de trabalho na faixa próxima da fachada e levam para o miolo as salas de reunião, os depósitos e as áreas de apoio, que dispensam janela. Divisórias de vidro deixam a luz passar de um ambiente a outro, e sensores de luminosidade reduzem a iluminação artificial perto das janelas nos horários em que o sol basta.
Ofuscamento é o contraste excessivo de brilho dentro do campo de visão, que causa desconforto a quem ocupa o ambiente, na definição do Whole Building Design Guide. No escritório, ele aparece como reflexo na tela, como janela brilhante atrás do monitor e como fadiga visual no fim do dia. O sol direto que atravessa o vidro ainda aumenta a carga térmica e faz o ar-condicionado trabalhar mais.
| Solução | O que ela resolve | O que observar |
| Vidro de controle solar | reduz o calor que entra, com baixo fator solar, e mantém parte da luz visível | a transmissão luminosa, para que o vidro não escureça demais o ambiente |
| Brises | bloqueiam o sol direto nas horas críticas, sem fechar a vista | a orientação da fachada, porque leste e oeste recebem sol baixo e difícil de barrar |
| Persianas automatizadas | ajustam a abertura conforme a posição do sol ao longo do dia | a programação, para que não fiquem fechadas quando não há sol direto |
| Layout perpendicular à janela | tira a janela de trás e da frente do monitor | a distribuição das estações, que precisa ser definida antes do mobiliário |
Em Curitiba, a normal climatológica do INMET de 1991 a 2020 registra 1.862,1 horas de sol por ano e nebulosidade média de 0,7, o equivalente a sete décimos do céu coberto. Setembro e outubro ficam no fundo da curva de insolação.
Com céu encoberto na maior parte do tempo, a luz chega difusa e muda ao longo do dia, o que dá ainda mais peso à profundidade da laje e à transmissão luminosa do vidro. A relação entre sol e conforto na cidade aparece no post sobre como a orientação solar influencia o conforto do imóvel em Curitiba.
Nas certificações internacionais, a luz natural é avaliada por simulação, e a métrica principal é a autonomia espacial de luz natural (sDA), que indica o percentual da área que recebe pelo menos 300 lux de luz natural em metade das horas ocupadas do ano. A exposição anual ao sol direto (ASE) mede o percentual da área que recebe mais de 1.000 lux de sol direto por mais de 250 horas no ano, e funciona como alerta de ofuscamento.
| Certificação | O que exige sobre luz natural |
| LEED v4.1, crédito Daylight | média de sDA de pelo menos 40%, 55% ou 75% para um, dois ou três pontos, e tratamento de ofuscamento em espaço com ASE acima de 10%, conforme o guia do USGBC |
| WELL v1, Daylight modeling | sDA em pelo menos 75% da área perimetral e ASE em no máximo 10%, segundo o padrão WELL |
| Fitwel v3, Daylighting Access | vidros com transmissão luminosa acima de 40% e razão entre janela e parede de pelo menos 35% por pavimento, segundo a central do Fitwel |
Num edifício pronto, a medição com luxímetro em dias e horários diferentes mostra quanto de luz chega às mesas. Para comparar edifícios entre si, pesa mais a simulação de sDA e ASE feita no projeto ou o relatório da certificação.
No Neo Corporate, no Centro Cívico, a fachada de alta performance usa vidros laminados com Silver Gray 32, num prédio com certificação LEED Gold. Segundo a página do edifício, esses vidros “permitem a entrada de iluminação natural mas refletem o calor”.
O JG1698, no Juvevê, tem amplas esquadrias em sistema structural glazing, com vidros laminados Cool Lite ST 136 de baixo fator solar voltados ao conforto térmico. É LEED Platinum e, segundo a página, o primeiro edifício do sul do Brasil com a certificação Fitwel Viral Response.
Vidros, esquadrias e certificação pesam sobre o bem-estar de quem passa o dia no andar, como mostra o post sobre arquitetura para pessoas, bem-estar e valor nos empreendimentos corporativos. Na visita a qualquer escritório, estas perguntas ajudam a separar a luz que entra da luz que de fato serve ao trabalho:
Pesquisas associam luz natural a melhor sono e desempenho. Em 2014, trabalhadores com janela dormiram 46 minutos a mais por noite. Em 2020, um estudo financiado por fabricante de vidro registrou desempenho 42% maior em simulações cognitivas. As amostras são pequenas, e o efeito depende de a luz chegar sem ofuscamento.
Segundo o Lawrence Berkeley National Laboratory, a zona bem iluminada por luz natural vai de 1,5 a 2 vezes a altura da verga da janela. Com verga a 2,5 m, isso significa estações até cerca de 5 m da fachada. Mais para dentro, a iluminação artificial passa a responder pela maior parte da luz.
Ofuscamento é o desconforto causado por contraste excessivo de brilho no campo de visão, como sol batendo na tela, janela muito clara atrás do monitor ou reflexo em superfície brilhante. Provoca fadiga visual e dor de cabeça, e se controla com vidro adequado, brises, persianas e estações posicionadas de lado para a janela.
Em projeto, com simulação das métricas sDA, que mede a área com pelo menos 300 lux de luz natural em metade das horas ocupadas, e ASE, que mede a exposição ao sol direto. Em edifício pronto, com luxímetro em horários e dias diferentes, comparando pontos perto e longe da janela.
Sim. A exposição à luz durante o dia ajuda a regular o relógio biológico. Um estudo de 2014 com trabalhadores de escritório encontrou 46 minutos a mais de sono por noite entre quem tinha janela no posto de trabalho, com 173% mais exposição à luz branca durante o expediente.
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O Grupo Noster acompanha o desempenho ambiental dos ativos que mantém em Curitiba, e as certificações LEED e Fitwel dos edifícios corporativos são parte dessa régua. Por meio da Víncere Locações, locatárias do Neo Corporate e do JG1698 trabalham em lajes projetadas para receber luz natural com controle de calor.
Fale com a equipe da Víncere Locações para conhecer as lajes disponíveis e as especificações de fachada de cada edifício.